Um preview da extensão ágil do BABOK - um "tempero ágil no BABOK"
Ontem foi divulgada a versão draft da introdução da extensão ágil do BABOK que pode ser baixada aqui: http://iiba.info/AgileBABOK1. Achei muito interessante a atitude dos responsáveis de liberar o draft da introdução assim que pronto, digamos que isso tem tudo a ver com a ideia de entregas parciais orientadas a entregar antes o que tem mais valor.
Onde está o valor da introdução? Para mim está em finalmente saber "qualé" a da extensão ágil, algo que eu estava apenas especulando antes da "release".

Se não houvesse esse "viés" na compreensão do BABOK, acredito que seria justificável também uma extensão cascata do BABOK, já pensou?
Existe um título dentro da introdução que achei muito bom, "Agile Thinking for Business Analysts" (algo como "Pensamento Ágil para Analistas de Negócios"), essa parte do texto repete de forma mais específica a parte do BABOK que já fala sobre as diferenças entre "change-driven" e "plan-driven", algo que elogiei anteriormente por achar que esses dois nomes são mais genéricos e trazem menos "ranso" consigo do que waterfall e agile.
Até aí digamos que não existe nada muito novo e pouco conhecimento prático é apresentado, contudo, quando chegamos ao "Agile Manifesto Applied to Business Analysis" (algo como "Manifesto Ágil Aplicado à Análise de Negócios") a coisa começa a fica mais pragmática e útil. O impacto de cada item do manifesto ágil é rapidamente descrito (e, espero que posteriormente aprofundado). Tomo a liberdade de traduzir (meio nas cochas) esses parágrafos aqui:
Indivíduos e interações sobre processos e ferramentas: A análise de negócios ágil tira o foco de processos e templates restritos e o coloca em auxiliar o time de entrega a identificar e implementar valor para o negócio.
Software rodando sobre documentação abrangente: As práticas ágeis reconhecem que existe pouco valor intrínseco nos produtos internos e transitórios que não serão referenciados após a implementação. O foco da análise de negócios ágil não está em entregar documentos perfeitos para o time, mas em ajudar o time a entregar soluções rodando, baseadas na entrega incremental ou just-in-time (JIT) de requisitos.
Colaboração do cliente sobre a negociação de contratos: Tradicionalmente, um foco chave da análise de negócios está em conseguir a aprovação do cliente e assinaturas em documentos de requisitos. A análise de negócios ágil atua sobre essa questão produzindo o mínimo de documentação que é entregue o mais tarde possível dentro do projeto. Não é apenas a colaboração do cliente que é enriquecida, a colaboração entre todas as partes aumenta. O relacionamento com o cliente é baseado na cooperação, não na passagem de bastão entre fases, e a análise de negócios é crítica na facilitação da cooperação e na garantia de que existe comunicação suficiente.
Responder à mudança sobre seguir um plano: Em projetos tradicionais cascata, um esforço para criar um grande desenho já de início (big design up-front) é convertido em um plano e o time deve seguir o plano - mesmo quando o tanto o cliente quanto o time concordam que a sua compreensão dos requisitos sofreu mudanças. Praticantes de agilismo adiam o comprometimento com o próximo trabalho a ser executado até o "último momento responsável" e oferece visibilidade e transparência para o cliente que permitem que ele tome decisões sobre o que construir e quando. A análise de negócios ágil requer o estabelecimento de um framework forte que garanta que o time de desenvolvimento permaneça focado no valor e sempre capaz de responder às mudanças.
Ao ver o título "Business Analysis for Agile Practitioners" (algo como "Análise de Negócios para Praticantes do Agilismo") eu pensei que encontraria os argumentos que eu mesmo usaria para justificar a minha existência em contextos ágeis, contudo, esta parte fala sobre itens que auxiliam o analista de negócios a se encaixar nesse contexto, como "o momento da análise de negócios ocorrer", "a natureza da análise de negócios" e o "nível de compromentimento", o que também é útil.
Voltando ao pragmatismo e à utilidade, o título "Agile Practices for Business Analysis" (algo como "Práticas Ágeis para Análise de Negócios") faz um pequeno resumo sobre como fica cada área de conhecimento do BABOK de uma ótica (ou com tempero) ágil. Aqui dou ênfase novamente para a área de conhecimento que não pode morrer nunca, independente do contexto, a elicitação de requisitos.
Em "Business Analysis in the Life of an Agile Practitioner" (algo como "A Análise de Negócios na Vida de um Praticante Ágil") temos uma visão rápida, mas útil, dos papéis responsáveis por executar atividades da análise de negócios dentro do contexto ágil.
Em uma análise rápida, com base no que li, acredito que a maior diferença, ou impacto, ou valor trazido por avaliar a análise de negócios de um ponto de vista ou tempero ágil é o fato de que nesse contexto, as atividades de análise de negócios não são de propriedade de um único profissional, de um único salvador da pátria ou ser iluminado.
Como isso vai afetar a visão de analista de negócio como profissional, os esforços do IIBA para conseguir reconhecimento para essa personagem, só o futuro dirá, contudo, digamos que nos ambientes ágeis, a análise de negócios sai do mindset comum de quem quer definir um escopo de atuação representado por apenas um profissional (como acontece com o gerente de projetos).
Só sei que acabei de participar como PO de uma reunião junto ao time de desenvolvimento e que poder compartilhar o fardo da análise de negócios é muito bom.
Leia também: BA = PO?







